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4 - Esculturas Religiosas e Profanas, Antropomorfas

A numerosa e variada série dos postes culturais ou anímicos, difere em dimensões, descendo a estatura desde metros de altura a poucos centímetros, reduzidos a pequenas estacas. Um determinado número de atitudes, de significação fixa, à margem das variações de tipos, alude a determinadas funções.
Máscaras de Angola
São por isso posições ou gestos rituais, por eles se determinando, nesses casos, o espírito que representam, os males que lhes inculcam curar, os objectivos para que os elevaram a padroeiros.

Este código anímico torna-se mais evidente na estatueta religiosa, e rege, até adiantado ponto, a postura da estatueta profana ou estatueta de arte propriamente dita, afirmando-lhes uma origem do poste cultual, conforme se pode observar no esquema evolutivo da figura 9.

Note-se, entretanto, que embora apeada do poste, as primeiras formas de estatueta livre não se podem considerar totalmente emancipadas do tronco mãe. Os membros inferiores, sem pés, estão directamente ligados a uma base circular, a bem dizer uma pequena secção do velho poste cultual, cortada pouco abaixo da figura. Apeada, a estatueta sustenta a verticalidade mas não sobre si própria. Soldada ao topo da coluna rústica, dir-se-ia não ter ainda ganho pés para se suster no terreno. Ainda não caminha só. Amarra-a a rotina, tolhe-lhe o passo a peia da tradição. Já não é poste, mas ainda não é estatueta completa, pois necessita do lenho como peanha para manter o equilíbrio (fig. 7)
Fig.7 - Poste esculpido
Fig.7 - Poste esculpido
Fig.8 - Poste esculpido
Fig.8 - Poste esculpido
São diversas e curiosas as formas como a estatueta se liberta da base, até nos surgir alçada sobre si mesma, sustida pelos próprios pés, os quais em muitos exemplos são, a rigor, uma base dupla, renitente à plasticização anatómica. Finalmente, hei-la liberta, e tomando desenvoltura. Os braços afastam-se do corpo, fugindo à retracção que por longo tempo lhe foi imposta pelo calibre uniforme e obrigatório do poste. Deixou de ser símbolo ou representação de espírito, para ser imagem no terreno da vida. Ensaia a textualidade, os somatismos da espécie, os caracteres e usos da tribo. Humaniza-se e aperfeiçoa-se esteticamente. De elemento de culto passou a elemento de arte (fig. 8).

Mais tarde há-de associar-se ao grupo, alinhar no friso, figurar no móvel ornado de esculturas, aspectos estes que, todavia, já não interessam à sobriedade deste esquema evolutivo da escultura antropomorfa angolana.
Fig. 9 - Série explicativa da origem e evolução da escultura antropomorfa angolana
1ª Fase - (1 e 2): Troncos verdes, culturais, de significação animíco-antropomorfa, pre-figurativos.
2ª Fase - (3, 4, 5 e 6): Postes de troncos secos, culturais, figurativos, anímico-antropomorfos (escultura fruste).
3ª Fase - (7 e 8): Esculturas culturais e profanas, antropomorfas (escultura sub-artística e artística), emancipadas do tronco ou poste anímico.

Limitamo-nos a lembrar que, onde quer que a encontremos, a estatueta trai ainda nos gestos a educação de infância, a atitude hirta do poste anímico, o hermetismo duma teologia exótica, a filosofia duma crença - a crença animista que a gerou no topo da coluna cultual.
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