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António JACINTO
António Jacinto do Amaral Martins, nasceu no Golungo Alto, em 28 de Setembro de 1924. Depois de concluir os seus estudos liceais em Luanda, começa a trabalhar como funcionário de escritório. Destaca-se como poeta e contista da geração Mensagem e, em consequêcia dos seus envolvimentos políticos, é preso e enviado para o campo de concentração do Tarrafal, Cabo Verde, onde cumpriu pena de 1960 a 1972.
Livros
Em 1972 foi transferido para Lisboa, em regime de liberdade condicional, onde exerceu a função de técnico em contabilidade. Fugiu em 1973 e foi integrar a luta pela independência de Angola, participando das frentes militantes do MPLA. Após a independência, foi Ministro da Cultura de 1975 a 1978. Morreu em 23 de Junho de 1991.
Da sua obra destaca-se «Poemas» (1961, Lisboa, Casa dos Estudantes do Império) e «Sobreviver em Tarrafal de Santiago» (1985, Luanda, INALD).

"Monangamba"

Naquela roça grande não tem chuva
é o suor do meu rosto que rega as plantações:

Naquela roca grande tem café maduro
e aquele vermelho-cereja
são gotas do meu sangue feitas seiva.

O café vai ser torrado
pisado, torturado,
vai ficar negro, negro da cor do contratado.

Negro da cor do contratado!

Perguntem às aves que cantam,
aos regatos de alegre serpentear
e ao vento forte do sertão:

Quem se levanta cedo? Quem vai à tonga?
Quem traz pela estrada longa
a tipóia ou o cacho de dendém?
Quem capina e em paga recebe desdém
fuba podre, peixe podre,
panos ruins, cinquenta angolares
"porrada se refilares"?

- Quem?

Quem faz o milho crescer
e os laranjais florescer

- Quem?

Quem dá dinheiro para o patrão comprar
maquinas, carros, senhoras
e cabeças de pretos para os motores?

Quem faz o branco prosperar,
ter barriga grande - ter dinheiro?

- Quem?

E as aves que cantam,
os regatos de alegre serpentear
e o vento forte do sertão
responderão:

- "Monangambééé..."

Ah! Deixem-me ao menos subir às palmeiras
Deixem-me beber maruvo, maruvo
e esquecer diluído nas minhas bebedeiras

- "Monangambééé..."

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