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Aires de Almeida SANTOS
Aires de Almeida Santos nasceu no Bié em 1921. Fez a instrução primária em Benguela e os estudos liceais em Nova Lisboa e Sá da Bandeira. Profissional de contabilidade no Grémio de Pesca de Benguela, durante 20 anos. Mais tarde fixou-se em Luanda (1921) tendo sido guarda-livors de algumas empresas.
Aires Santos
A partir de 1970 ingressa no jornalismo e torna-se colaborador literário de vários jornais em Benguela e Luanda. Foi co-fundador da União dos Escritores Angolanos. Morreu em 1992 em Benguela.

Da sua obra destacamos «Meu Amor da Rua Onze» (1987, Lisboa, Edições 70) e «A Casa» (1987, Lubango).

A mulemba secou

A mulemba secou.

No barro da rua,
Pisadas
Por toda a gente,
Ficaram as folhas
Secas, amareladas
A estalar sob os pés de quem passava.
Depois o vento as levou...

   Como as folhas da mulemba
   Foram-se os sonhos gaiatos
   Dos miúdos do meu bairro.

(De dia,
Espalhavam visgo nos ramos
E apanhavam catituis,
Viúvas, siripipis
Que o Chiquito da Mulemba
Ia vender no Palácio
Numa gaiola de bimba.

De noite,
Faziam roda, sentados,
A ouvir,
De olhos esbugalhados
A velha Jaja a contar
Histórias de arrepiar
Do feiticeiro Catimba.)

   Mas a mulemba secou
   E com ela,
   Secou também a alegria
   Da miudagem do bairro:

O Macuto da Ximinha
Que cantava todo o dia
Já não canta.
O Zé Camilo, coitado,
Passa o dia deitado
A pensar em muitas coisas.
E o velhote Camalundo,
Quando passa por ali,
Já ninguém o arrelia,
Já mais ninguém lhe assobia,
Já faz a vida em sossego.

   Como o meu bairro mudou,
   Como o meu bairro está triste
   Porque a mulemba secou...

Só o velho Camalundo
Sorri ao passar por lá!...

   (Meu amor da rua onze)
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