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Thomaz Vieira da CRUZ
Thomaz Vieira da Cruz nasceu em Constância, Ribatejo, em 22 de Abril de 1900. Viveu em Angola a maior parte da sua sua vida. Fundou com outros, em Novo Redondo, onde viveu largos anos, o Jornal Mocidade. Considerado um percursor da literatura angolana. Faleceu em Lisboa em 7 de Junho de 1060.
Livros
Obra poética: «Quissange Saudade Negra» (1932, Lisboa, Livraria Bertrand), «Vitória de Espanha» (1939, Luanda, Imprensa Nacional), «Tatuagem» (1941, Lisboa), «Cazumbi» (1950, Lisboa, Portugália), «Cinco Poesias de África» (1950, Lisboa, Bertrand Irmãos), «Poesia Angolana de Tomás Vieira da Cruz (antologia poética)» (1961, Lisboa, Casa dos Estudantes do Império), e «Quissange» (1971, Luanda, Lello).

Quissange - Saudade Negra

Não sei, por estas noites tropicais,
o que me encanta...
Se é o luar que canta
ou a floresta aos ais.

Não sei, não sei, aqui neste sertão
de musica dolorosa
qual é a voz que chora
e chega ao coração...

Qual o som que aflora
dos lábios da noite misteriosa!

Sei apenas, e isso é que importa,
que a tua voz, dolente e quase morta,
já mal a escuto, por andar ausente,
já mal escuto a tua voz dolente...

Dolente, a tua voz "luena",
lá do distante Moxico,
que disponho e crucifico
nesta amargura morena...

Que é o destino selvagem
duma canção em que tange,
por entre a floresta virgem
o meu saudoso "Quissange".

Quissange, fatalidade
deste meu triste destino...
Quissange, negra saudade
do teu olhar diamantino.

Quissange, lira gentia,
cantando o sol e o luar,
e chorando a nostalgia
do sertão, por sobre o mar.

Indo mares fora, mares bravos,
em noite primaveril
acompanhando os escravos
que morreram no Brasil.

Não sei, não sei,
neste verão infinito,
a razão de tanto grito...

-Se és tu, oh morte, morrei!

Mas deixa a vida que tange,
exaltando as amarguras,
e as mais tristes desventuras
do meu amado Quissange!
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