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Nesta histórica vila da Humpata, outra família, a de Teodósio Cabral, vivia em perfeita fraternidade com a nossa. Lembro-me ainda da Senhora Dona Antónia Cabral, já viúva, mãe de diversos filhos de espírito pioneiro e de feitos célebres.
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As figuras de que o Pá falava com mais frequência e com quem comungou a juventude, iniciaram ainda rapazes a vida de caçadores e de desbravadores do sertão, eram o Álvaro e o Teodósio. Contava-se como verdade que, o Francisco Nóbrega e o Álvaro Cabral numa rixa de jovens, destruíram uma seara inteira por ninguém se ter atrevido a interferir e só pararam de se espancar quando caíram, cada um para seu lado, ambos exaustos.
Teodósio veio a ser companheiro de Henrique Galvão e de Abel Pratas nas suas grandes digressões através do Continente Africano, de que deixaram literatura de valor, escrita em conjunto. Teodósio Cabral, terminou a sua vida em Moçambique, ligado à exploração de Berílio (usado em ligas, reflector de neutrões em reactores nucleares) onde deixou alguns dos seus filhos mais velhos e colaboradores da família Nóbrega. O abandono desta actividade de alto valor económico nos mercados internacionais deve-se à desastrosa catástrofe da descolonização. O John, seu filho mais velho, foi assassinado em Angola, em plena estrada, por um grupo de ladrões armados em guerrilheiros, quando se dirigia para a sua criação de gado bovino na zona de Quilengues.
Atreve-mo a supor, e não passa de mera suposição, que o princípio desta fraternidade e dos estreitos laços de amizade que imperavam, tem indícios de ligação maçónica, através de um suposto parente chegado, António da Costa Cabral, expressiva figura de oposição à ala esquerda do Liberalismo a meio do século XIX. Foi administrador-geral de Lisboa, conde e marquês de Tomar, grão-mestre da maçonaria, contemporâneo e de vivência paralela a um parente nosso já referido anteriormente e ao convívio chegado com Norton de Matos, quando Alto Comissário em Angola e também grão mestre da maçonaria. O secretismo de então, a feroz perseguição instaurada e a destruição de correspondência praticada ao tempo, não nos permite sermos mais concisos na descrição dos princípios e comportamentos destas pessoas, indubitavelmente carismáticas.
Feitos de pioneirismo destes homens, quando jovens, fazem parte da relíquia de Memórias e Recordações que nos eram descritas pelo velho Velah Muphender, quando sentado num morro de salalé ou na raiz duma mulemba, pacientemente, nos transmitia aquelas histórias de encantar.
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