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Ou gado ou leopardo
O desmaio do Lumumba

Foi a terceira vez, em menos de uma semana, que os homens da senzala me vieram dizer que a onça tinha roubado mais um tchincombo! Naquele dia marquei a picada e voltei ao local do curral, acompanhado pelo fiel Lumumba, o cão negro que me adoptara como dono, havia bastante tempo.

FOTO 11
Girafas
Depressa dei com o sítio onde o felino tinha fincado as patas ao cair, do salto que deu por cima da cerca com a sobrecarga da cabra. O vento estava de feição, segui o rasto pacientemente, notando que de quando em quando a fera caçadora parara para descansar do fardo. O cão ia desconfiado; contra o que era costume mantinha-se encostado às minhas pernas. Não tinha comigo a caçadeira e era a 375 Magnum que levava preparada para o que desse e viesse! Teria caminhado meia hora, por entre muchitos e espinhosas, quando dei pelo sítio onde o banquete tinha tido lugar. Quatro abutres levantaram voo dos despojos e foram fazer companhia a outros, que curtiam a digestão, pousados numa frondosa acácia.

Mais uma análise ao local e lá dei com as pegadas em direcção à chana . O Sol já queimava quando vislumbrei uma pequena lagoa, no meio da clareira, a menos de duzentos metros. Continuei a marcha cautelosa, já sem o cuidado de seguir o rasto, porque o mais natural é que o leopardo estivesse a beber, ou já o tivesse feito e estivesse a dormir, numa das pequenas sombras dos arbustos que bordejavam a lagoa. A uns cinquenta metros antes da lagoa, um bando de capotas levantou alvoraçado mas não pela nossa presença. Eu e o cão mantivémo-nos estáticos e o estrebuchar dumas asas denunciou a presença do predador.

Capim com mais de meio metro dificultava a visibilidade mas a arma já estava apontada para o sítio da agitação. Quase que se adivinhavam as pequenas orelhas redondas, que apareceram diversas vezes, por cima das espigas. Silvei como um pássaro e novamente as orelhas se ergueram, especadas, desta vez por cima do ponto de mira.

O estampido do tiro ribombou contra a mata distante e a quietude da chana apenas foi perturbada pelo esvoaçar dum bando de patos de crista, que levantara da lagoa. No sítio para onde tinha partido o projéctil, o capim mantinha o mesmo ritmo de todo o restante, que ondulava suavemente e nos rodeava a mim e ao assustado Lumumba. - ... Busca Lumumba ! - E o cão correu a farejar em todos os sentidos. Um latir entrecortado foi o último sinal que recebi do cão.

Com toda a cautela, fui-me aproximando, sempre na expectativa de ver aquele gato gigantesco formar o salto assassino, até que dei pelo corpo imóvel do belo animal. Com o cuidado de sempre, tentei vislumbrar alguma agitação da ponta da cauda, único movimento incontrolável quando estes matreiros felinos simulam de mortos. Julgando que o cão tinha sido abatido pelo leopardo ferido, espantei-me por não lhe detectar um único ferimento. O pobre Lumumba estava sem sentidos! Quando correu, contava com algum antílope como era costume, mas, ao ver de que bicho se tratava, caíu inanimado! .... - Estava apenas desmaiado ! ...

FOTO 12

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